segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Sem destino... Mas não por muito tempo.


Depois de muito quebrar a cabeça, a oferta de destino que para mim parecia ser a mais interessante, era: pegar um trem para Barcelona. Inocente eu, hehehehehe... Tirando que a distância é longe para uma viagem de final de semana, trem barato na Europa já virou lenda, resultando na inviabilidade desta opção. Dentre as opções que restavam, nada me agradava muito e, como sempre, é nessas horas que surge a grande idéia: já que o Neil não conhecia Madri, sugeri pegarmos um ônibus de 5 horas para fazer uma visita para a Virginia. Ele adorou a idéia, mas tinha um problema: albergue em cidades movimentadas como Madri,  durante o final de semana, geralmente estão lotados, sendo mais aconselhado fazer uma reserva.

Foi nessa hora que eu lembrei do salvador “Orkut”. Entrei no Orkut e tratei de logo mandar um recado para o meu amigo do Albergue para tentar uma vaga. Não tivemos sorte. Quero dizer, naquele momento me pareceu que não tivemos sorte. Meu amigo disse que não tinha vaga, mas que podíamos ir para lá que ele daria um jeito.

Chegando no albergue fomos direto para a recepção. Quem estava trabalhando naquele momento não era o meu amigo e sim um Francês que eu não conhecia até então. Perguntei se o Dudu se encontrava, e na mesma hora ele me olhou com aquela cara de quem ia dizer que não tinha vaga para ficar. O Francês parou Por um momento tinha imaginado que não teríamos lugar para ficar. Ele pensativo por um instante e falou: ah! Eu sei quem tu é, o Dudu falou de ti. Ufa! pediu para nós sentarmos e para preencher as fichas de hospedes, e do nada ele perguntou: o Dudu já explicou para vocês como vai funcionar, né?
Sem entender nada, lógico que eu respondi que sim. Logo em seguida, ele nos leva para o nosso quarto que ficava no último andar do albergue, onde já não tinha mais nada, nos mostra o quarto e se retira. Foi só o tempo de largarmos as mochilas e chegou o meu amigo, o tal do Dudu. Nos cumprimentamos, agradeci a ele, e então ele me perguntou: o Francês já explicou para vocês tudo?
Ufa! Pelo menos para ele eu posso dizer que não estava entendendo nada, hehehehe...  E a explicação foi: esse quarto esta com um pequeno mofo na parede e o dono do albergue disse para não alugar este quarto, e como o dono esta viajando, vocês podem ficar aqui, mas não precisam pagar.

Como??? Até pouco tempo atrás não tínhamos nem lugar para ficar, agora não precisamos nem pagar, hehehehe... O Neil não entendeu absolutamente nada, mas com certeza achou que eu era o cara dos contatos, hehehehehe.

Pronto, agora já estávamos em casa, e em pensão completa, com direito a banho quente, internet e café da manhã incluso. O passo seguinte da empreitada foi testar a internet do Albergue e procurar o endereço do albergue da Virginia para fazer uma surpresa pra ela, eu e o Neil claro. Assim já teríamos quase a família de Córdoba toda reunida, só faltava a Mari  que na verdade estava em Barcelona já.
Bom deixo o resto de Madri para outro dia.
PS: desculpa a ausência minha no Blog, mesmo tendo prometido escrever todos os dias. Tenho feito bastante coisa. Ao mesmo tempo que estou escrevendo aqui também estou escrevendo o roteiro do filme que estou fazendo. Então tenho que cuidar para a cabeça não fundir, hehehehe.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Pessoas...

       É engraçado! Eu sempre imaginei que viajar sozinho deveria ser uma coisa monótona. O que eu não sabia é que: quando se viaja sozinho, o que não se fica, é sozinho.
Outra coisa muito diferente quando se está viajando é a relação do tempo.  Parece que o tempo passa de uma forma diferente, eu não sei explicar, mas por exemplo: muitas vezes tu conhece uma pessoa a menos de uma semana e parece que vocês se conhecem a muitos anos.
A Virginia é uma dessas pessoas. Nessa altura conhecia ela fazia uns 5 dias, mas ou mesmo tempo a gente trocava idéia como se fossemos amigos de infância.

     O tempo em Sevilla não poderia ser diferente. Caminhamos muito, conhecemos muitos lugares históricos, comi muitos kebabs, tive muitas aulas de espanhol, mas uma hora ia acontecer o inevitável. E ia ter que me despedir da minha nova grande amiga. A próxima cidade que ela ia era Madri, que deve ficar mais ou menos umas 5 horas de ônibus de Sevilla. O problema dessa vez, fora o dinheiro, é que nos últimos meses eu já tinha passado por Madri duas vezes, então nesse ponto estava um pouco fora dos meus planos voltar lá.

          As vezes uma viagem exige que a gente tome certas decisões, e nesse dia a decisão mais certa me parecia ser: voltar para Granada.

     Agora... voltar pra Granada não necessariamente significa voltar para a montanha e não ter o que fazer.... Corrigi então a minha decisão: eu voltaria para Granada e entraria em contato com o Neil (americano intercambista que morava na cidade) para então saber a real possibilidade de ficar em sua casa por uma semana. Desta maneira eu poderia aproveitar mais a cidade e matar tempo até a temporada e o meu emprego na estação de ski começarem.
Esse me parecia um bom plano, além de que me custaria somente alimentação por uma semana, afinal de contas não precisava mais pagar albergue.
Passagem de ônibus comprada, ligação feita e já estava tudo certo.

       De volta em Granada parecia que eu estava em casa.hehehehe... Até aula na Universidade eu assisti para ver como era. Agora a melhor descoberta da cidade foi o “Kebab King”, com certeza ta na lista dos melhores Kebabs que eu já comi até hoje. O Neil era tão viciado no Kebab King, que até uma camiseta do restaurante ele fez eles me darem de recordação. Lógico que eu uso ela até hoje. Hehehehehe.

      Agora eu tenho que voltar para a uma das características que eu citei no começo deste post, o tempo. Para variar, o tempo passou rápido de mais, e o que era para ser uma semana, para mim pareceram ser dois dias. Já era quinta-feira e ao se aproximar do final de semana o Neil me faz uma proposta: como ele só tinha os finais de semana livres ele me propôs fazermos uma viagem para algum lugar da redondeza e voltar no domingo. Fiz minhas matemáticas de tempo/$ e vi que caso eu fizesse isso, na volta me restariam quase 20 dias e dependendo dos gastos da viagem mais ou menos uns 250 euros. Não preciso fazer a equação de novo pra comprovar minha decisão para quem está lendo a história, preciso? Mas tinha uma condição, tínhamos que fazer uma viagem muito em conta. Hehehehe..

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Pré feriado...

Como hoje é praticamente um feriado eu vou dar uma folga na novela "Europa/05", mas pra não deixar de mostrar uma novidade todos os dias, segue o link de um podemos chamar, "pré-trailer" do filme que eu falei no primeiro post deste Blog.



domingo, 5 de setembro de 2010

Cultura pra mais de metro...



Antes de voltar para Granada, eu queria deixar claro que tudo que estou escrevendo até então se trata de momentos que aconteceram 5 anos atrás. Já teve gente que não conhece a história, fazendo confusão achando que eu estou na Europa. Não, estou no Brasil e senti vontade de escrever sobre as aventuras da época de faculdade.

Deu de enrrolação, vamos voltar para Granada.

Voltar para Granada foi muito especial. No minha primeira vez no albergue eu tinha me encantado pelo lugar e pelas pessoas, mas como estava preocupado em arrumar emprego e moradia, não tinha me permitido aproveitar aquela situação. Então, agora eu tinha voltado totalmente solto para aproveitar.

Seguramente o lugar chave de todo albergue é o lugar onde fica a internet, ainda mais nesse, que a internet ficava praticamente junto com a cozinha...hehehehe. Lógico que era ali que todos se encontravam e, naturalmente, era dali que saiam grande parte dos planos.

No começo os planos eram simples, como ir a um bar e visitar um museu, mas aos poucos as pessoas vão se conhecendo melhor (1 hora depois) que no final já estão combinando de se encontrar no Marrocos no final do mês, hehehe.

Hoje em dia eu não sou uma pessoa muito de festa, mas tinha uma coisa que adorava nos bares de Granada... não sei como chamaria isso, mas pode ser algo como uma “promoção” em que tu compra uma bebida e está incluído um aperitivo: as vezes um pãozinho, ou sei lá, algum fruto do mar, e por aí vai. Como eu não bebo, e muita gente prefere beber que comer, o combinado sempre era, vocês bebem e eu como, hahahahaha. Demais! Ah essa “promoção” se chama 'Tapas'.

No primeiro dia, durante o dia, se minha memória não falha, eu fui visitar uma igreja antiga e umas praças com umas meninas que conheci, duas da Alemanha, uma dos Estados Unidos e uma do Canadá. Na volta, claro que sugeri comprar um macarrão e umas latas de atum, e fazer uma janta no albergue, prato que virou praticamente a minha refeição oficial na Europa, dividindo espaço com o Kebab (sanduiche árabe) lógico. Depois da janta, na famosa salinha da internet, começou a aparecer mais pessoas, e então pensei: vou variar um pouco. Conheci dois caras e uma menina da argentina. Não lembro o nome deles, mas ela virou minha grande amiga, falo com ela até hoje, a Virginia. Resolvi então sair para umas Tapas com eles.

O grande “problema” dos albergues é que todos estão de passagens, então se escuta muitas histórias, e muitos planos de viagens, o que me deixa inquieto, hehehehe. Nessa noite a Virginia comentou que em dois dias iria seguir viagem para Cordoba, uma cidade que fica a 3 horas de trem de Granada. Ah! Os outros dois argentinos não estavam viajando com ela. Eles também tinham acabado de se conhecer e não iriam para Córdoba, eles iam direto para Sevilla, uma cidade que fica mais três horas para frente. Desta maneira, para não ficar sozinha, Virginia me convidou para conhecer Córdoba, dizendo que depois eu voltaria para o meu emprego. Claro que comendo Tapas, todos felizes, da boca pra fora eu falei: claro, claro, acho que eu vou sim.
No dia seguinte, durante o dia, reencontrei as outras meninas e, por convite delas, fomos conhecer a famosa Allambra, que é uma construção linda que fica no todo de um morro da cidade, e no caminho passamos para conhecer um bairro que era todo meio alternativo, que apesar de não lembrar o nome, tenho uma foto pra mostrar.

  
  
O da mochila sou eu e as duas meninas da direita são as duas irmãs da Alemanha.

Já de volta no computador do hotel, reencontro Virginia, e como eu não esperava, ela me lembra de que no dia seguinte ela iria para Córdoba e novamente me convida para seguir viagem. 

Nesse ponto eu já tava vivendo tão profundamente o sentimento de mochileiro que eu não pude dizer não. Resolvi alterar o plano, mas tudo sob controle. Comprei um chip local para o meu celular e falei pra Virginia que iria, mas com uma condição, ou melhor, duas: primeiro, já que ela logicamente escrevia em espanhol, ela mandasse uma mensagem para o meu “chefe” dizendo que aquele era o meu novo número e que iria viajar por dois dias, mas que voltaria e me mudaria para sua casa; segundo, que nesses próximos dois dias ela iria me dar aulas de espanhol.

Tudo certo. Mensagem enviada e já estávamos no trem, sentido Córdoba. Lógico que nessa altura do campeonato eu já estava hablando tuuudo...hehehehe.

Chegando na cidade, fomos logo procurar o ônibus local para seguir até a região que, segundo o mapa dela, tinham albergues para a gente ficar. No ônibus local uma coisa muito engraçada aconteceu: um turista bem loiro vem nos perguntar em espanhol informações do trem, pois estávamos como mapa em mãos. O cara falava muito bem espanhol, fiquei impressionado. Como já estava curioso, perguntei de onde ele era, e dai sim fiquei surpreso, ele responde: sou dos Estados Unidos. Eu estou acostumado com americano preguiçoso, que vem milhões de vezes pro Brasil e só fala inglês, mas deu de perceber que nem sempre é assim..hehehehe. O nome dele era Neil, e também estava na procura por albergue. Então, como todo bom viajante, convidamos pra se juntar com a gente.

Na saída do ônibus olho pra frente e vejo uma menina com uma mochila com um logo igual o da minha e pensei: olha que engraçado, é da mesma marca... e logo em seguida me lembrei que a minha mochila era brasileira...hehehehe.. Fui falar com ela e adivinha de onde ela era?

Tem gaucho espalhado por tudo quanto é canto do mundo, mas depois dos gauchos quem que a gente sempre encontra por ai? Claro que ela só poderia ser carioca né? Hehehehehe. O nome dela era Mari, e pra variar, também estava a procura de lugar para ficar.

Para a Virginia, que achava estar viajando sozinha, agora já éramos quatro... e como em uma viagem o tempo passa de uma maneira muiiito diferente, em questão de duas horas já éramos todos melhores amigos...hehehehe.



Da direita para a esquerda: Mari, eu, Neil e Virginia.

Os dois dias em Córdoba foram incríveis! Realmente inesquecíveis! E como tudo que é bom passa muito rápido; era hora de cada um seguir seu caminho. A Virginia seguiria para oeste, sentido Sevilla; a Mari estava vindo sentido contrário, então seguia para Granada; o Neil, como era intercambista de uma Universidade em Granada, e só podia viajar final de semana, iria voltar para Granada. E eu? Uma grande incógnita. Teoricamente deveria voltar para Granada e me mudar para a casa do “Chefe”, mas pensando de outra maneira: o meu emprego ainda não ia começar, se eu voltasse ia acabar tendo que trabalhar mesmo que sem receber, eu devia ter ainda uns 400 euros dos meus 500, e um emprego garantido em pouco menos de um mês. Se tu somar tudo isso, com o convite da Virginia de seguir viagem para Sevilla, e levar em consideração o fato de que até pouco tempo atrás eu estava totalmente perdido, triste, acho o resultado dessa equação fica lógica. Mas por hoje escrevi o suficiente....






sexta-feira, 3 de setembro de 2010

GRANADA: Ôoo Plano!!!

      Já que eu não falava alemão, e certamente não aprenderia a falar em uma semana, uma estação de ski onde a língua oficial era o espanhol era o plano perfeito.

    O plano era o seguinte: comprei uma passagem só de ida de Berlim para Madri, reservei uma noite em um Albergue em Madri pela internet, pesquisei qual ônibus pegar para chegar até Granada (5 horas ao sul de Madri, no extremo sul da Espanha), e para me garantir reservei 3 noites em um albergue em Granada, que segundo a minha imaginação seria o tempo necessário para conseguir um lugar para morar de verdade e um emprego.

  Tudo reservado, porém como o aeroporto era meio longe o Claudio, meu primo, me deixou na estação de trem para então eu ir ao aeroporto.


                                         
  
    Chegando em Madri fui direto ao albergue, e que albergue...hehehehe... Mais para frente da história vai fazer sentido esse comentário. O albergue, caso alguém precise de uma dica, se chama “Olé”.
    Eu, que nunca fui muito de falar espanhol, me senti totalmente travado. Cheguei, peguei o metro e fui direto pro Albergue, até porque eu não estava muito interessado naquele momento em Madri, estava mesmo era sonhando com a montanha. 
     Ao chegar no Olé, e não ter nada pra fazer, resolvi ficar pela recepção mesmo. Senti que tinha um fluxo legal de pessoas ali e que eu acabaria arrumando alguma coisa pra fazer. Meia hora se passa e percebo que o cara da recepção falava um espanhol muito fácil de entender, muito engraçado porque do nada eu entendia tudo. Lógico que fui perguntar de onde ele era. E como já era de se imaginar: ele era gaúcho...hehehe... e pra variar, mais um Eduardo. Nunca vi, os gaúchos estão em TODOS lugares do mundo...hehehe... nada contra, afinal tenho váaarios amigos desse país chamado Rio Grande do Sul. Foi desse momento em diante que eu voltei ao meu normal.... falei praa caralho por algum tempo...hehehehe... imagina a empolgação que eu estava de conhecer Granada.

    Granada é uma cidade universitária no extremo sul da Espanha, algumas horas do Gibraltar, próximo de Córdoba e Sevilla. A cidade é simplismente de mais, fica uma hora da praia e 40 minutos da estação de ski, resumindo o lugar dos sonhos.

     Foi no Alberque de Granada que e senti pela primeira vez o espírito de um Albergue. Chegando, fui para uma salinha que tinha uma cozinha, uns sofás e acho que dois computadores, e era uma loucura... gente de vários lugares diferentes do mundo viajando por motivos diferentes, procurando coisas diferentes. Aquele dia foi complicado focar no meu plano, cada um convidava para uma coisa diferente, uns queriam sair para uma festa naquela noite, outros queriam ir para o Marrocos na semana seguinte, outros ir em um museu em algum lugar no dia seguinte, e por ai vai. Mas eu fui forte, falei que ia dormir cedo porque no dia seguinte cedinho pela manhã eu iria pegar um ônibus para subir a montanha a procura de emprego e um lugar para morar.

    No dia seguinte, na medida que o ônibus subia a montanha, eu ia desanimando. Faltava um mês para a temporada começar e eu não via neve, aquilo pra mim não era um bom sinal.
    Chegando na vila da estação tudo que eu via me lembrava uma cidade fantasma. Uma montanha sem um floco de neve. Várias lojas, porém todas fechadas, alguma em reforma e ninguém para eu pedir um emprego. Toda porta que eu ia bater tinha um bilhete dizendo: caso tenha interesse em emprego deixar currículo.

    Jura que à essa altura do campeonato eu tinha um currículo,  ainda mais em espanhol. Lógico, reformulei o plano, pensei: vou esperar o ônibus de volta pra cidade, mandar um e-mail para a minha mãe, que é professora de espanhol, e pedir pra ela fazer um currículo para mim, e no dia seguinte, eu volto para deixar nas lojas. 
    Como o ônibus subia e descia a montanha uma vez por dia naquela época, eu resolvi comprar umas bolachas e um refrigerante na única loja de conveniência que estava aberta, ir para um mirante que tinha e passar a tarde por ali. E foi o que fiz.
   Estava eu lá desanimado, comendo a minha bolacha, quando, do nada, vem um cachorrão querer dividir ela comigo, e como normalmente acontece, quando vem um cachorro normalmente vem um dono atrás.
    Lógico que eu não podia perder a oportunidade de falar do que eu tava fazendo para pessoa. Afinal, a minha teoria é que: uma pessoa é = a um possível emprego. 
   Comecei a conversar e a falar que eu era brasileiro, que estava atrás de emprego para a temporada, que já tinha trabalhado em estação antes e blábláblá. Então perguntei o que ele fazia. Ele virou para trás apontou para uma loja em reforma e perguntou: tá vendo aquela loja ali? Eu sou o dono dela. Hehehehehe. Eu pirei, né? Já comecei a falar que eu era trabalhador, que ele não ia se arrepender, daí ele falou que era complicado, porque muitos vem de outros países para trabalhar, ficam uma semana e depois só querem saber de andar de snowboard. E claro, falou também do problema de documentos, etc. Lógico que falei que eu não seria assim, e que além de muiiita vontade de trabalhar eu tinha passaporte italiano e não teria problema em trabalhar com ele. Foi ai que ele falou que ele na verdade ele era argentino e que todos que trabalhavam com ele também eram. Daí mesmo que me senti em casa né..hehehehe... Afinal de contas, Florianópolis no verão é praticamente uma extensão da Aregentina.
     Foi então que ele me perguntou: não queres conhecer a loja? Lógico que eu aceitei!
Demais! Foi tudo que eu pensei naquela hora, um sonho... 5 minutos dentro da loja e quando eu me dou conta já estou ajudando a reformar os skis para a temporada, e do nada ele me chama para um canto e fala: Então, nos somos todos argentinos, trabalhamos juntos e moramos todos na mesma casa em uma cidade no meio do caminho entre a estação de ski e Granada, tu não gostaria de trabalhar com a gente e morar na nossa casa?

    Caramba, que sensação boa! Primeiro dia e eu já tinha emprego e casa. Impossível negar. Saindo do trabalho, já fomos comer em um restaurante muito gostoso, que ele ainda pagou a conta. Ficou combinado que eu iria trabalhar para ele, mas como a temporada não tinha começado ainda eu teria o trabalho só no mês seguinte, mas se eu quisesse poderia já se mudar para a casa mesmo assim. O problema era que eu tinha mais dois dias pagos no albergue. Então combinei que voltaria para a cidade. Em dois dias eu estaria de volta com a minha mudança: uma mochila.

     Foi aí que pensei: já tenho emprego certo, tenho casa, 500 euros dá e sobra para passar um mês sem trabalhar... então, vou aproveitar meus dois últimos dias na cidade e viver a vida de mochileiro de albergue por dois dias.. aii cagada.. se e o “patrão” soubesse acho que não teria permitido eu voltar pra cidade...hehehehe. Mas isso deixa para amanhã, porque este capítulo da novela, pra variar, já está loooongo demais.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

PROVISÓRIO!!

Este layout do blog é provisório, não entendo nada disso aqui ainda, então ainda não consegui mudar, mas acredito que até semana que vem está pronto.

Aprendendo a se permitir viver...


Não sei nem se estou fazendo isso certo (contar minha estória por um blog). Também não sei se alguém vai ler até o final o que eu estou escrevendo... mas ontem senti pela primeira vez a vontade de ter um blog e escrever um pouco do que eu estou vivendo. Não sei muito bem pra quem estou escrevendo ainda, mas sei que sempre penso muito e que, talvez, essa seja uma maneira de registrar um pouco alguns dos meus pensamentos e das minhas estórias.

Acho que, apesar de muita gente saber do meu filme, acredito que muitos nunca entenderam de fato de onde tudo isso surgiu, então acho melhor voltar ao começo.

Meu nome é Eduardo, mas na verdade respondo por Duca. Sou de Florianópolis. Depois de muita paciência, tempo e vontade familiar, me formei em Administração na Universidade Estadual de Santa Catarina, etc, etc, etc. Na verdade nessa última frase que começou a confusão. Como assim confusão? Quando eu entrei na faculdade eu tinha uma vontade muito grande de trabalhar em grandes empresas, ser um trainee numa multi nacional, viajar o mundo como executivo, etc. Mas, no meio do caminho resolvi sair pra viajar durante as ferias. Liguei pra um amigo de infância (outro Eduardo) e juntos viramos operadores de teleférico numa estação de Ski no Colorado, EUA.



Na volta pro Brasil, eu que até então pode-se dizer que era bem "focado" na faculdade, não conseguia prestar mais atenção nas aulas, só falava sobre vigem. Pra colaborar, na época eu tinha uma namorada que eu não queria mais namorar, e ela queria, daí o dia que ela não quis mais lógico que eu quis... claro, que como tudo na vida, vira confusão na cabeça da pessoa. A cabeça já começa a misturar tudo. A faculdade já vira uma merda, tu começa a se questionar "será que gosto disso mesmo?", e no meio dessa confusão toda eu tomei uma decisão: voltei a viajar. Comprei uma passagem e resolvi que ia trancar um semestre pra pensar na vida e tentar descobrir o que eu queria fazer. Então, fui pra Europa! Ai se meu pai soubesse naquela época o resultado que daria uma passagem para Europa...hehehehe.

Demorou um pouco pra me desligar dos problema do Brasil, mas aos poucos foi me habituando e me permitindo aproveitar aquela viagem. Trabalhei 3 meses de vendedor ambulante (porta em porta) de TV a cabo em Lisboa, até que eu percebi que aquilo ali não estava resolvendo nada. Então, resolvi passar o último mês que me sobrava em Berlim, visitando dois primos alemães, filhos da irmã do meu vô.



Berlim é Ô lugar... posso dizer que lá que eu comecei a me permitir pensar em outras coisas de verdade. Não sou de festa, mas lá a situação pedia. Foi um mês de festa, acho que 5 dias por semana. Era um dia atrás do outro, até que o corpo não aguentava e tinha que passar um dia dormindo. O único dia que acordei antes do meio dia foi no dia que peguei o avião pra ir embora. Meus dias em Berlim estavam acabando e eu tinha um plano:

Como em uns 3 meses começava novamente a temporada de Ski nos EUA, e o Eduardo que tinha ido comigo na temporada anterior tinha gostado bastante da experiência, ele tinha convidado mais três amigos nossos e, dessa vez os quatro iam juntos pra lá. Lógico que eu estava louco pra ir junto, então o plano era o seguinte:

Ligar pro meu pai no Brasil e explicar a situação de que em Lisboa o trabalho não tinha sido como o prometido, que eu estava quebrado, mas que era uma situação especial e que queria um dinheiro emprestado e que seria garantido, pois trabalho naquela época nos EUA teria com certeza e, assim, eu teria a grana pra pagar de volta. LÓGICO que o meu pai deu um ataque e não me emprestou o dinheiro. O motivo: segundo ele eu estava maluco querendo ir de um lado do Atlântico pro outro toda hora, que eu ja tinha ido vezes suficientes pros Estados Unidos e que eu conhecia pouco da Europa. A minha resposta:

"Mas eu tenho 5 euros, como vou conhecer a europa?" hehehehe

E daí veio a resposta a altura. Ele disse: então eu te DOU de presente 500 euros e pago a multa pra extender a tua passagem de volta pro Brasil e tu fica mais uns meses na Europa.... Meus olhinhos brilharam e na hora. Esqueci os planos de ir pro Colorado, desliguei o telefone e a minha cabeça começou a pirar nas idéias.

A primeira idéia foi usar esse dinheiro pra me sustentar até arrumar um emprego numa estação de ski na Austria, que segundo os meus primos é ô lugar... Daí começa a frustração... liguei pra váaarias lojas, escolas de ski, etc, e todos falavam a mesma coisa, não adianta tu ter um passaporte europeu, tu tem que falar Alemão... Piada né! eu falar alemão assim do nada... IMPOSSÍVEL.. foi aí que lembrei de uma pessoa que conheci no caminho pra Berlim, quando passei um dia em Madri, que me falou de uma estação no sul da Espanha, numa montanha vizinha de uma cidade universitaria chamada Granada. E foi assim que eu tive a idéia do plano que foi o seguinte:

olha eu sabia que eu falava demais, mas escrever assim eu não sabia, até porque nunca escrevo, então por hoje paramos por aqui e amanhã eu conto sobre o meu plano de Granada.